Feminismo

Bela, recatada e do lar: O que isso tem a ver com você?

By on abril 22, 2016

Bela recatada e do lar 1

A segunda começou virada do avesso com a matéria da revista Veja sobre a “quase primeira-dama”, suas características “bela, recatada e lar” e como Michel Temer era um “homem de sorte”. Se você acompanhou os textões do Face, os memes, as matérias sobre e toda a repercussão que isso teve, mas ainda acha que isso é mimimi de feminista, de mulher recalcada, infeliz e uma perseguição às mulheres que escolheram ser do lar, a própria Marcela Temer (que coitada, ficou no meio do fogo cruzado) ou que isso não tem nada a ver com você. Senta aí e vamos conversar um pouquinho!

Vamos começar com um termo que você pode não conhece muito, mas não tem problema. Aprenderemos juntos! Você sabe o que é marginalização social? O significado de marginalização não é só para o bandido que rouba a padaria ou o ladrão que invade a sua casa. São marginais todas as pessoas, grupos sociais ou ideológicas que são obrigadas a se “afastar do centro”. São aqueles que não se encaixam no que é definido como padrão ou tradicional – tipo a nossa família tradicional brasileira – e vivem a margem desta centralidade. Afastados, isolados e separados do resto da sociedade.

Foi isso que Nazismo fez quando levou todos os judeus para “comunidades judaicas”, com o ateísmo e cultos protestantes, em séculos passados, é isso que acontece com a turma do fundão em uma sala de aula, na divisão de departamentos de uma empresa e que continua acontecendo na grande maioria das cidades, principalmente naquelas que já nasceram completamente planejadas, como a minha.

Tá, mais o que isso tem a ver com o “bela, recatada e do lar”? Vamos lá! Por algum motivo que ainda desconheço e espero que algum dia alguém possa me ajudar a entender, o ser humano tem uma grande dificuldade em entender as singularidades. Nossa inteligência só é capaz de entender um conceito geral e não suas particularidades. Cabelo cacheado é aquele da propaganda de shampoo e não o da Maria, ser bonita é um estereotipo pronto que todos devem seguir e família ideal é composta por pai, mãe, filhos e um animalzinho de estimação para deixar a foto mais simpática.

Tudo que foge deste geral causa estranheza e deve ser jogada à margem do centro. Porque um bom centro é limpo, tradicional e uniforme. Esconder e ignorar é muito mais simples que entender. E como eu disse anteriormente, nossa inteligência foi programada para pensar de “forma geral” e não precisa de senso crítico para pensar assim.

Bela, recatada e do lar 3

Eu não vou muito longe em nossa história política e não pretendo levantar nenhuma discussão sobre partido, então se contenham! Vamos começar com a nossa presidente Dilma Rousseff.

Dilma foi a primeira presidente do Brasil. Quando ela foi eleita, lembro-me muito bem de todos os jornais, programas de TV, rádio e veículos impressos dedicando grande parte do tempo a polêmica: é presidente ou presidenta? Chamavam professores, consultores, antropólogos e qualquer outra pessoa que pudesse ter uma resposta cabível para esta situação. Mas por que isso aconteceu? Porque ela “alterou o centro”!

Na história do Brasil só havia presidentes, então nunca ninguém precisou pensar nisso. Aí chega uma mulher, assume a cadeira e agora? Vamos precisar reestruturar o centro de novo! A mudança não foi maior porque ela facilitou as coisas – para essas pessoas que se sentem responsáveis por coordenar o centro – não tendo um marido. Como ele seria chamado? Primeiro-damo, primeiro-senhor, primeiro-homem? Eu me recordo vagamente de também acompanhar alguma discussão sobre.

Bom, para piorar ainda mais a estabilidade do centro, a mulher que assumiu a presidência da república brasileira lutou na ditadura, tinha um olhar sério, sem os “traços femininos” que o machismo adora e fama de autoritária. Não era a Claire Underwood que estão vendo em House of Cards, ela era diferente.

Não que essa seja a causa do atual caos político e econômico (EU JÁ FALEI QUE NÃO VOU ENTRAR EM DISCUSSÃO POLÍTICA), mas a Dilma sem marido e com uma filha que aparece muito pouco acabou com a ideia de presidente + primeira dama + filhos. Todos sorrindo como uma propaganda de margarina.

Bela recatada e do lar 4

E aí, com todas as possíveis mudanças que podem acontecer devido aos acontecimentos do último domingo. Surge um possível presidente homem com uma primeira-dama que exala todas as características que este centro adora e vê a chance de trazer de volta a estabilidade de sua fórmula tradicional de família. Eles só aproveitaram a oportunidade perfeita!

BELA: Ela é bela como o machismo gosta – Longos cabelos ondulados, delicada, magra e feminina.

RECATADA: Usa roupas claras e até o joelho, fala baixo, tem gestos sutis, não usa decote, transparência e não é vulgar.

DO LAR: Lugar de onde nenhuma mulher deveria ter saído. Afinal, ficar em casa, cuidar do maridão, levar os filhos para escola e ainda continuar sendo bela e recatada será para sempre uma tarefa dela.

O problema não está na Marcela, nas mulheres que escolheram ser do lar, nas mulheres que usam roupas claras até o joelho ou nas que se encaixam neste padrão de beleza. O REAL PROBLEMA, e ele também envolve você, é como a imagem da Marcela foi usada como uma referência de mulher para a função de primeira-dama. O problema está no centro tentando resgatar seus valores tradicionais e jogando as margens sociais as mulheres que trabalham fora, as mulheres que não usam roupas do mesmo estilo, que não levam os filhos para escola e que acreditam que a função de administrar a casa é de todos que moram nela e não da mulher.

Bela recatada e do lar 5

Nós não podemos mais deixar que estas pessoas nos coloquem formas e quem não se encaixe seja jogado as margens e isolados do centro. Ao invés de pensar de forma geral e se adequar, precisamos aprender a ter sensibilidade com a diferença e se aceitar do jeitinho que se é, e não do jeito que o centro quer que você seja. E é por isso que a ideia de “bela, recada e do lar” também envolve você!

Não podemos nos transformar uma pedra de gelo que se adapta exatamente ao tamanho da forminha. Aliás, nós não podemos aceitar estas forminhas! A forma do pai, da mãe, da família, do que é ser mulher ou do que é composta uma família. Não podemos aceitar que exista um pequeno centro e que todos que não se adaptam sejam deixados de lado. Somos pessoas, convivendo diariamente com pessoas e vivendo em um mundo repleto de pessoas. Então porque temos tanta dificuldade em aceita-las como são?

Pessoas! Vamos desenvolver senso crítico! Precisamos perceber quando somos manipulados e se rebelar contra isso. Não falo como feminista, falo como uma profissional de comunicação que conseguiu identificar o oportunismo de um veículo e sua tentativa desesperada de resgatar valores tradicionais. Trazer de volta um cenário perfeito que reinou por tanto tempo no Brasil onde mulher não era presidente e primeira-dama ficava em casa.

Bela recatada e do lar 6

Eu nunca criticaria a Marcela Temer, nunca criticaria nenhuma mulher bela, recatada e do lar ou qualquer outra que seja o oposto disso, pois eu defendo todas as mulheres e seu direito de ser quem ela quiser.

O que eu não aceito é a sociedade escolher um tipo de mulher, um tipo de família, um tipo de beleza ou qualquer tipo de estereotipo para definir o que é ser mulher, o que é ser família, o que é ser bela ou o que é ser qualquer coisa!

Eles continuarão fazendo isso diariamente, porque quem é tradicional não aceita o novo. Quem cria estas “forminhas” tem dificuldade para aceitar o diferente, por isso cabe a você lutar contra isso. E é por este motivo que o movimento #belarecatadaedolar tem mais a ver com você do que imagina.

Todas as mulheres com suas cervejas, todas as heroínas e todas as outras ironias que foram usadas para retratar o que é ser “Bela, recatada e do lar” serviram para mostrar ao mundo que existe sim vários perfis de mulheres e qualquer uma delas pode ser sim primeira-dama, aliás, até presidente, se ela assim quiser!

Continue Reading

Feminismo

Quando o machismo me protegia

By on março 28, 2016

quando-o-machismo-me-protegia-01

Na semana passada, enquanto escrevia um post sobre “Roteiros para mochilão na América Latina” para um cliente, fui completamente envolvida pela intensa vontade de viajar. Na verdade, eu sinto muita vontade todos os dias, mas este dia foi ainda mais forte. Eram locais diferentes do que estou acostumada e que sempre tive muita vontade de conhecer.

Atacama, Ilha de Páscoa, Machu Picchu…. Lugares que além de te presentear com cenários inacreditáveis ainda desafiam seu corpo e exigem um pouco de preparação física. Comecei a pensar nos meus 30 que estão chegando e como eu queria tentar fazer algo diferente de tudo que já fiz hoje. Seria interessante tirar um período sabático, conhecer lugares diferentes e preparar o meu corpo para algo especial.

Não sou viajante de primeira viagem, já tenho alguma experiência com destinos internacionais e o roteiro que eu estava imaginando não tinha grandes complicações, mas do nada comecei a ter um nó na garganta e uma crise de ansiedade (ruim!) pensando em alguns detalhes da viagem. Quando refleti sobre isso, acabei ficando bem triste.

Explico! Na minha atual situação viajaria sozinha e de uma forma tão repentina – sem conseguir controlar – comecei a pensar nas amigas que foram mortas no Equador, na quantidade de turistas mulheres desaparecidas que já li em portais de notícias e todas as outras tragédias que invadem todos os dias a nossa timeline.

quando-o-machismo-me-protegia-04

O engraçado é que há exatos 5 anos eu fiz meu primeiro mochilão pela Europa. Optamos por ficar em quartos mistos sem qualquer problema, eu não tinha medo de ir ao banheiro a noite, não ficava cuidando da minha bebida e não tremia na base cada vez que alguém vinha conversar comigo. Eu curti a viagem e estava mais preocupada com alguém que quisesse roubar minha bolsa do que fazer algo comigo.

E sabe qual foi a conclusão que eu cheguei quando comparava a Jóyce da primeira viagem com a Jóyce de agora? Eu acreditava que o machismo me protegia!

Sempre tive um estilo “meio fofo”, então não me via como alguém que chamava a atenção. Não acreditava que tinha o perfil que enlouquece um homem e quase não usava roupas que “pedem para ser estuprada”, como dizem por aí. Me via fora deste “estereotipo desejo” e me sentia tranquila.

Eu não nasci feminista e ninguém nunca me ensinou nada sobre quando era mais nova. Eu fui entendendo tudo isso ano após ano, me questionando sobre as injustiças que via e sentido na pele a diferença entre homens e mulheres, então já errei bastante. Nunca fui de ficar julgando ninguém pela roupa ou estilo, mas tinha na cabeça que aquele estereótipo, era o tipo perigoso. A ideia machista da mulher fácil e da mulher provocante que não se dá ao respeito me protegia de coisas ruins, já que eu não era assim.

quando-o-machismo-me-protegia

Hoje eu sei que isso não existe! Entendi que isso é um comportamento covarde que culpar a vítima e que independente do tamanho da minha saia, ninguém tem o direito de tocar em mim. Descobri que este estereótipo não existe e se um homem fizer alguma coisa com você a culpa é sua independente se seu estilo é fofo ou sexy. Você é mulher e por isso eu posso. Simples assim!

Fiquei pensando em tudo isso e entendi minha crise de ansiedade quando comecei a planejar mentalmente minha viagem. Entendi meu profundo incômodo quando me sentei na última fileira da sala de cinema – entre dois homens desconhecidos – e não sabia se tinha mais medo do urso atacando o Leonardo DiCaprio ou do que eles poderiam fazer ali. Porque hoje não consigo mais dormir no ônibus e me preocupo tanto em comprar a passagem com antecedência no “espaço mulher”. O motivo que me deixa tão constrangida quando um homem me elogia porque nunca sei se qualquer sorriso ou obrigada pode ser a abertura que ele precisa para “algo mais”.

É difícil! Quando eu achava que estava protegida por um perfil que não interessa ao machismo eu me preocupava com outras coisas e agora eu preciso me preocupar com as mesmas coisas e mais estas outras que citei a cima. Minha inocência não existe mais. Hoje eu sei o quanto era ridículo eu pensar desta forma, mas como eu disse, não nasci feminista.

Lembro-me do meu pai me questionando – logo depois que eu terminei um longo namoro e comece a sair sozinha – sobre o que aconteceria se um pneu furasse de madrugada e eu estivesse no carro sozinha. Minha resposta sempre foi: “Eu ligo para o seguro! A assistência não está inclusa neste serviço tão caro que a gente paga?”. Feliz era o tempo em que eu acreditava que minha maior preocupação seria ligar para o seguro e não o que poderia acontecer comigo parada em uma rua escura no meio da noite.

quando-o-machismo-me-protegia-02

Agora eu sei que quando se trata de violência contra mulher não existe a Maria da saia curta, a Joana que só vai à igreja, a Luísa que é mãe de família ou a Cíntia que não se dá o respeito. Somos vulneráveis porque somos mulheres. O que eu achava que me protegia, na verdade, me separava do resto das mulheres e me colocava em uma posição confortável para acreditar que o que acontecia com elas não tinha nada a ver comigo. Hoje, eu sei que precisamos estar todas juntas ajudando uma as outras porque mulher é mulher e pronto!

Agora olha que ridículo! Sentir medo de viajar ou fazer qualquer coisa que gosta porque um bando de idiota não sabe o que é respeito e limite. Falhamos. Eu só consigo concluir que nós falhamos!

Deixo algumas perguntas para você refletir:

O que você pensa quando o taxista muda a rota com você sozinha no taxi?

Qual sentimento você tem quando alguém parece estar seguindo você?

Quando se trata de violência, qual é a coisa mais terrível que pensa que pode acontecer com você?

Agora faça as mesmas perguntas para um amigo do sexo oposto e tire suas próprias conclusões.

Continue Reading

Feminismo

#semanadasmulheres Podcast: Feminismo para ouvir

By on março 9, 2016
podcast, feminismo

 podcast, feminismoSe você ainda não se rendeu ou foi apresentado ao mundo do podcast está perdendo um tempo precioso! São milhares de opções legais e que cabem perfeitamente no seu dia enquanto trabalha, relaxa, caminha, está na academia ou no trânsito.

Como estamos na #semanadasmulheres aqui no blog, vou deixar a indicação de quatro podcasts preferidos – tenho mais de 25 no celular – que já abordaram temas feministas ou são produzidos por mulheres. Pra ouvir já 🙂

Antcast, podcast, feminismo

AntiCast

O AntiCast começou como um podcast para designers, mas hoje aborda muito mais assuntos como cultura, sociedade, literatura e filosofia. São conteúdos densos e muito bem elaborados por Ivan Mizanzuk. Eles já abordaram algumas vezes temas sobre mulheres, feminismo e machismo no mundo nerd, que pra mim foi o mais difícil de ouvir. São relatos são bem pesados e realmente não imagina quão negro era esse universo. É difícil, mas vale a pena ouvir.

Minhas indicações: Anticast 116 e 198

spoilers talk show, podcast, feminismo, cinema, tv

Spoilers Talk Show

Eu amo esse podcast! Ele é divertido, leve e fala que quase todas as séries e filmes que existem, inclusive aqueles que nem você assume que um dia assistiu. Além do podcast, o site Spoilers é maravilhoso e recheado com muita, muita e muita informação sobre séries e cinema. Eles já abordaram temas femininos algumas vezes, mas o meu preferido é sobre o Feminismo da TV.

Minha indicação: #14

mamilos, podcast, feminismo, podcast feito por mulheres

Mamilos

É um podcast para você começar ouvir agora! Idealizado por Juliana Wallauer e Cris Bartis, que além de conteúdos atuais dão uma aula de tolerância, profissionalismo e bom senso.  É gostoso de ouvir, sempre tem convidados legais e já descobri muitos livros, programas e profissionais interessantes com suas indicações. São duas fofas que um dia gostaria de ter o prazer de conhecer!

Minha indicação: Todos!

we can cast it, podcast, feminismo, podcast feito por mulheres

We Can Cast It

Minha mais nova e deliciosa descoberta! As meninas do We Can Cast It arrasam falando de cultura pop, feminismo, cinema, quadrinhos e assuntos do cotidiano. São 30 minutinhos de muito conteúdo que só faz bem para a vida.

Minha indicação: Todos!

Continue Reading

Feminismo

#semanadasmulheres Chimamanda Adiche: Sejamos todos feministas

By on março 8, 2016

Chimamanda-Adiche-Sejamos-todos-feministas-1

“Não silenciem essa voz. Enfrentem o desafio.” Foi assim que Chimamanda Ngozi Adichie encerrou seu discurso na cerimônia de formatura do Wellesley College, uma faculdade liberal para mulheres em Massachusetts, Estados Unidos, incentivando todas as mulheres a nunca desistirem de sua luta.

“Eu e minha mãe discordamos sobre muitas coisas quando o assunto é gênero. Existem algumas coisas que minha mãe acredita que uma pessoa deve fazer apenas “por ser mulher”. Como ocasionalmente acenar e sorrir, mesmo que sorrir seja a última coisa que se queira fazer. Como estrategicamente deixar de argumentar apenas porque a outra pessoa com quem se está discutindo não é uma mulher. Como casar e ter filhos. Eu penso que tudo isso pode ser feito por algumas boas razões, mas “porque você é uma mulher” não é uma delas. Então, Turma de 2015, nunca aceitem o “porque você é uma mulher” como uma razão para fazerem ou deixarem de fazer alguma coisa.”

Chimamanda é uma escritora nigeriana feminista que apaixona a todos com seus romances com histórias emocionantes. Hoje, ela já é considerada uma das mais importantes escritoras africanas, principalmente por seu sucesso em atrair jovens leitores.

São quatro livros publicados – Purple Hibiscus, Half off Yellow Sun, The Thing Around Your Neck e Americanah – com traduções para mais de trinta línguas e reconhecimento em prêmios importantes como o Orange Prinze e o National Book Critics Circle Award. Americanah entrou para lista dos 10 Melhores Livros do New York Times, em 2013.

Chimamanda-Adiche-Sejamos-todos-feministas-2

Entre administrar uma faculdade na Nigéria e ministrar oficinas de escrita, Chamamanda também dá palestras, eventos e em 2009, foi convidada para participar do TED. Seu discurso falando sobre o perigo das histórias únicas já tem mais de dois milhões de visualizações e é de arrepiar.

“Histórias tem sido usadas para expropriar e tornar malígno. Mas histórias podem também ser usadas para capacitar e humanizar. Histórias podem destruir a dignidade de um povo, mas histórias também podem reparar essa dignidade perdida.”

Eu conheci sua história em 2012 quando – em outra participação no TED – inspirou a todos com o tema “Sejamos todos feministas”. Seu discurso foi adaptado para um livro e até a diva Beyonce usou trechos de sua fala na música Flawless.

“A questão de gênero é importante em qualquer canto do mundo. É importante que comecemos a planejar e sonhar um mundo diferente. Um mundo mais justo. Um mundo de homens mais felizes e mulheres mais felizes, mais autênticos consigo mesmos. E é assim que devemos começar: precisamos criar nossas filhas de uma maneira diferente. Também precisamos criar nossos filhos de uma maneira diferente.”

Com uma simpatia encantadora, ela conta sobre sua descoberta como feminista, como é ser mulher nos tempos atuais e porque o feminismo é tão essencial para libertar homens e mulheres. Sim, é isso mesmo que você leu!

Este vídeo é a versão original do TED e é possível ativar legendas em português. Então dá play e aproveite o Dia da Mulher para inspirar-se com essa mulher maravilhosa!

O livro “Sejamos todos Feministas” é vendido sobre encomenda da Saraiva por R$ 14,90.

A versão digital é GRATUITA e pode ser baixado aqui. Vale muito, muito, muito a leitura!

Continue Reading

Feminismo

#semanadasmulheres Jenny Beavan: Um novo dress code para o Oscar

By on março 7, 2016

Jenny-Beavan-1

Já que amanhã é o Dia Internacional da Mulher vamos aproveitar para fazer aqui no blog uma #semanadasmulheres com conteúdos, temas e personalidades que nos inspiram a comemorar esse dia como se deve: Se empoderando!

O Oscar já foi há uma semana. Eu já me recuperei de toda a comemoração com a estatueta do Leozinho e a internet já se reinventou depois de perder seu principal meme quando se fala em premiação, mas mesmo com a terra voltando ao seu movimento normal, uma polêmica continua indignando pessoas e gerando muitas discussões: A roupa da figurinista Jenny Beavan.

Vamos falar um pouco sobre ela! Jenny Beavan é uma designer inglesa que tem seu trabalho muito bem reconhecido pela indústria cinematográfica e já foi indicada 10 vezes ao Oscar de Melhor Figurino, incluindo os filmes Razão e Sensibilidade, O Discurso do Rei, e Mad Max: Estrada da Fúria, que lhe rendeu o prêmio.

Eu já trabalhei um bom tempo da minha vida como produtora e quem também já trabalho sabe da importância que isso tem no resultado final das fotos ou do vídeo, mas normalmente é um trabalho que fica lá nos bastidores, aparecendo apenas na ficha técnica e nos sites especializados.

Jenny-Beavan-4

Jenny já é reconhecida como um excelente figurinista há tempos, mas só tornou-se conhecida para o mundo quando percorreu o corredor do Dolby Theatre – para buscar a estatueta de melhor figurino por Mad Max – sem maquiagem, cabelo natural, jaqueta de couro, calça preta e botas. Quem acompanhou a premiação ao vivo pode ver os olhares de estranheza quando ela caminhava até o palco e logo que a imagem dela começou aparecer na TV o Twitter foi bombardeado por mensagens nem um pouco agradáveis sobre a escolha de seu figurino.

Ela pareceu não dar a mínima para todos no teatro e quando questionada sobre o look escolhido para o evento, Jenny disse:

“Eu não uso vestidos e saltos. Eu simplesmente não posso, tenho problemas nas costas. Eu ficaria ridícula em um vestido e isso foi uma homenagem para Mad Max. Estou me sentindo confortável e, até onde percebo, estou realmente arrumada!”

Podia terminar esse texto aqui, com esta frase. Aliás, esse é o tipo de post que não deveria nem existir.

Agora, vamos pensar um pouquinho!

Dress code é um código de vestimenta que orienta as pessoas como se vestir em lugares e eventos. OK!

O dress code do Oscar é Black Tie, ou seja, são eventos sofisticados que sugerem as mulheres comprimentos longos e produções elaboradas. OK!

Então uma mulher – que não pode usar salto e se sente completamente desconfortável de vestido – precisa se submeter a essas regras para estar presente em um evento onde seu talento profissional é reconhecido. NÃO!

Sabe por que isso incomoda tanto?  O cinema ainda é machista! Desde o início da história do cinema a mulher cumpre um papel de “objeto a ser admirado” que começa na criação dos roteiros e se estende até as premiações. Lindas mulheres de braços dados a homens elegantes, quase como um acessório extra e essa cultura vem sendo reproduzida até hoje. Fomos criadas em uma cultura de “divas” bem longe das mulheres reais. Por que ninguém discute sobre os looks masculinos?

Jenny-Beavan-2

A premiação de melhor atriz existe deste a primeira cerimônia do Oscar, em 1929, mas quando uma mulher ganhou a estatueta por qualquer outra categoria? Kathryn Bigelow foi a primeira mulher a ganhar o Oscar de melhor direção, com o filme Guerra ao Terro, e isso aconteceu só em 2010!

A mulher como um objeto perfeito, belo, sexy e feminino que aparece nas telas de cinema e red carpets existe há muito tempo, mas e as mulheres que trabalham muito nos bastidores coordenando equipes gigantescas, vivendo em tensão total 24h horas por dia e vestindo, provavelmente, uma roupa bem confortável para aquentar toda a maratona. Como ficam essas mulheres? Elas precisam se transformar na Cinderela e ser algo que não querem só para ter o seu trabalho reconhecido?

Qualquer uma pode encontrar uma fada madrinha que lhe dê um vestido lindo e um par de sapatos de cristal para encantar o príncipe, mas nem todas terão tudo que é necessário para um dia governar como uma verdadeira rainha.

Quer saber um pouco mais sobre o look da Jenny? A jaqueta de couro comprada na Marks & Spencer – uma famosa loja de departamento do Reino Unido – foi bordada com cristais Swarowski (olha o luxo aí) com o símbolo do Mad Max e a gola tinha um bottom com a frase “Fake not Leather” avisando que para ser fabricada, não foi necessário o sofrimento de nenhum animal. Tão lindo quanto qualquer vestido.

Não estou aqui criticando a beleza do red carpet e das divas do cinema, ou afirmando que elas não são ótimas profissionais. Eu as amo e tenho muito orgulho delas! Mas o mundo precisa entender que existe muito mais além do padrão que decidiu ser o seu umbigo. Beleza é algo relativo e precisamos entender as variantes. Assim como qualquer outra mulher que pisou no red carpet do Oscar 2016, Jenny se produziu e escolheu sua melhor roupa, pode não ter sido o que você esperava, mas era o look que ela escolheu para quem sabe subir ao palco para receber o prêmio de melhor figurino. E subiu!

Jenny-Beavan-3
Cate Blanchett e Jenny Beavan

Acredito que o que mais doeu em todas as pessoas que criticaram a Jenny, foi ver uma figurinista sem vestido grifado, beleza impecável e todo o glamour que imaginam que existam na indústria. Fica claro como o mundo dos supérfluos nivela qualquer pessoa pela sua aparência sem ter o menor interesse em entender quem é ou qual é a história daquela pessoa. Talvez muitas das mulheres que participam da premiação porque tem o seu trabalho reconhecido pela academia, goste muito mais do seu jeans velho e de seu tênis confortável, mas se submeteram ao dress code porque acham necessário. Jenny foi a primeira a dizer não e respeitar quem ela é.

Provavelmente, porque nem um Oscar vale mais que a dor nas costas no dia seguinte, por causa do salto.

Continue Reading

Feminismo

Calendário Pirelli 2016: O ano das mulheres poderosas

By on fevereiro 25, 2016

A publicação anual do calendário Pirelli, criado pela empresa italiana de pneus Pirelli, movimenta o mundo da moda, cinema e música desde sua primeira edição, em 1963. Ícones como Naomi Campbell, Gisele Bündchen, Sophia Loren, Kate Moss, B.B. King, Bon Vox e outros vários famosos já posaram para fotógrafos renomados como Mario Testino e Bruce Weber.

Após 53 anos apresentando belas imagens de top models seminuas em cenários exuberantes, a edição de 2016 tem um novo critério de seleção onde mulheres são escolhidas por suas realizações e carreira profissional, e não por sua aparência. Segundo Jennifer Zimmermann, diretora mundial de estratégias da agência de publicidade responsável pelo calendário, isso é uma mudança de paradigma que acompanha uma tendência global.

“Estamos envoltos em uma tempestade perfeita de ícones culturais, hollywoodianos e políticos. Entre a primeira candidata à presidência com chances reais [a democrata Hillary Clinton, nos EUA], os personagens femininos poderosos na TV, de ‘Supergirl’ a ‘Madam Secretary’ e ‘Scandal’, a pressão para salários igualitários, é impossível ignorar o empoderamento das mulheres. Além disso, quem ainda usa calendário? É preciso que ele signifique alguma outra coisa”.

E pode ter certeza Jennifer que ele significa sim! Eu sempre acompanhei os calendários Pirelli e o único sentimento que tinha era de um produto bonito e luxuoso. Algo que você passa olho, acha legal e depois esquece, mas uma homenagem assim merece todo o reconhecimento. Ver produtos como este mudar o foco depois de mais de meio século de publicações – seja de coração ou não, nunca vamos saber – valoriza a luta das mulheres e principalmente, contribui para o fim dos estereótipos de beleza que nos limitam há tantos anos. #coisalinda

Conheça as 12 mulheres poderosas do calendário Pirelli 2016 que posaram para a fotógrafa – também poderosa – Annie Leibovitz.

pirelli-natalia-vodianova

Janeiro: Natalia Vodianova

A modelo e apresentadora russa tem origem humilde e já esteve entre as mulheres mais bem pagas por seis anos seguidos. Inspirada pela irmã, Oksana, que possui paralisia cerebral, fundou o Naked Heart Foundation, uma organização que dá apoio e suporte para famílias russas que criam crianças com necessidades especiais.

pirelli-Kathleen-Kennedy

Fevereiro: Kathleen Kennedy

Essa mulher é apenas a produtora do filme E.T e da franquia Jurassic Park! Quer mais? Já realizou mais de 60 trabalhos no cinema acumulando um total de 120 indicações ao Oscar. Só em 2013 concorreu a 12 estatuetas e 7 Globos de Ouro. Eu sou apaixonada pelo trabalho dela!

pirelli-Agnes-Gund

Março: Agnes Gund

Historiadora e mestre em História da arte pela Harvard. Ela é presidente do Museu de Arte Moderna de Nova York e filantropa. Em 2011 foi convidada pelo presidente Barack Obama para participar do Conselho Nacional de Artes dos Estados Unidos e faz parte até hoje.

pirelli-Serena-Williams

Abril: Serena Williams

Eleita a melhor tenista do mundo, pela Associação Feminina de Tênis, e campeã 21 vezes do Grand Slam, vencendo torneios como Roland-Garros e US Open. Serena também é considerada a terceira maior campeã da história do esporte.

pirelli-Fran-Lebowitz

Maio: Fran Lebowitz

Escritora respeitada e entusiasta de carros antigos, Lebowitz participou, em 2010, de um documentário produzido pela HBO que registrava seus processos criativos e reflexões sobre cultura da celebridade, hipocrisia e casamento gay. Sua última criação é o livro Progress, que fala sobre o poder que a igreja ganhou para controlar o estado.

pirelli-Mellody-Hobson

Junho: Mellody Hobson

Uma executiva poderosa do cinema e dos negócios. Ela faz parte do conselho-diretor da Dreamworks Animation, é diretora da Starbucks Corporation e presidente do grupo Ariel Investments, onde começou como estagiaria. Em 2015, esteve na lista da Times como uma das cem pessoas mais influentes do mundo.

pirelli-Ava-DuVernay

Julho: Ava DuVernay

Diretora e roteirista conhecida por contribuir para o cenário da produção de filmes independentes. Foi a primeira mulher negra a ganhar o prêmio de Melhor Diretora, no Festival de Sundance, com o filme “Middle of Nowhere” e a primeira diretora negra a ser indicada ao Globo de Ouro e Oscar com o belíssimo filme “Selma”.

pirelli-Tavi-Gevinson

Agosto: Tavi Gevinson

Com apenas 19 anos, Tavi se tornou uma referência sobre cultura pop e feminismo com o seu blog Style Rookie. Em 2012, apareceu na lista de personalidades mais influentes antes dos 30 anos da Forbes e entre as 25 jovens mais influentes do mundo da revista Times, em 2014.

pirelli-Shirin-Neshat

Setembro: Shirin Neshat

A artista iraniana hoje vive em Nova York e tem exposições rodando o mundo todo. Já participou dos festivais de Sundance e Cannes, além de fazer parte da mesa do júri do 63° Festival de Cinema de Berlin, em 2013. Algumas de suas obras foram apresentadas no Miss Dior Exhibition, no Grand Palais de Paris.

pirelli-Yoko-Ono

Outubro: Yoko Ono

Dispensando qualquer tipo de apresentação, Yoko é aos 82 anos um mito cultural. A Compositora, cantora e artista plástica consegue transmitir em suas obras vanguardismo com pitadas de provocações.

pirelli-Patti-Smith

Novembro: Patti Smith

Ela ocupa a posição 47 no ranking dos maiores artistas de todos os tempos pela revista Rolling Stone. Além do sua carreira como cantora e compositora, Smith é conhecida por seu ativismo libertário se posicionando contra a Guerra do Iraque e o governo de George W. Bush.

pirelli-Amy-Schummer

Dezembro: Amy Schummer

Conhecida por suas atuações de stand up comedy e entrevistas em talk shows, Amy fecha o calendário de 2016. Ela criou, escreveu, produziu e protagonizou sua própria série de televisão, o “Inside Amy Schummer”, que já teve seis indicações em premiações.

Muito bom,né?!

Continue Reading

Feminismo

Eu, o batom vermelho e o feminismo

By on fevereiro 12, 2016

red-lips-and-feminism-03

O batom vermelho aparece cada vez mais como um símbolo de mulheres empoderadas que lutam pela igualdade e eu, apaixonada por tudo isso, comecei a pensar na minha relação com ambos. Afinal, sou sim do tipo que usa batom vermelho até na padaria e bom, acho que não preciso falar muito sobre minha relação com o feminismo. Se ainda não fomos apresentados, tudo bem! Continue por aqui que logo tudo fará sentido.

Herdei duas coisas da minha avó índia: Os lábios carnudos e uma sorte danada com a pele. Quando eu digo sorte, é sorte mesmo, do tipo que passa pela adolescência sem nem saber o que é espinha! Estas duas características sempre foram motivos de muitos elogios e constrangimentos para mim. Probleminhas em relação à receptividade de elogios, principalmente deste tipo que você nunca sabe dizer nada além de obrigada! Explico: Quando alguém elogia minha aula ou um texto que escrevi, agradeço pelo reconhecimento a dedicação e esforço, mas quando alguém elogia seus olhos, seu cabelo ou sua boca, você não vai responder obrigada, eu nasci assim, hahahaha! Enfim, coisas da vida que discutimos no sofá da terapia.

A verdade é que ter a pele boa me livrou de muitas preocupações com oleosidade, espinhas, ressecamentos, rugas e isso nunca me causou grandes problemas, mas já os lábios não. Eu sentia uma necessidade fora do comum de escondê-los, batom clarinho, gloss transparente ou só um hidratante labial para dar um brilhinho. Era o que a maioria das revistas e experts falavam sobre maquiagem para lábios carnudos e tudo que eu poderia fazer para não chamar muito a atenção.

red-lips-and-feminism-01

E foi com essa lógica que eu vi até os 20 e poucos anos quando o batom vermelho começou a voltar com força quebrando aquela associação ridícula com o vulgar e caindo no gosto de mulheres poderosas e moderninhas. Eu que já nem lembro quando comecei acompanhar blogs femininos e de moda, via tudo isso acontecendo e achava lindo, vermelho é realmente uma cor apaixonante, mas não era pra mim – não era para os meus lábios grandes demais. Foi a influência – e grande insistência – das minhas amigas que um dia resolvi comprar um: O Boticário, linha Intense, cor 330, efeito mate. Se tornou o tipo de coisa que a gente não esquece!

“Se eu tivesse seu bocão, ia viver de batom vermelho”, “Meus lábios são finos e iam ficar parecendo dois riscos na cara, mas em você ia ficar lindo”, “Combina com você que é toda moderninha”. Foram estas frases que começaram a me fizeram mudar de ideia e tentar. Lembro que a primeira vez que passei, logo tirei. Passava, ficava olhando no espelho, tentando combinar com a sombra, com o cabelo, com a roupa e logo tirava. Uma vez, venci o espelho e consegui sair de casa, mas tirei no carro antes de chegar ao bar. Não lembro quanto tempo exatamente durou essa “batalha”, mas sei que ela não foi curta. Quando me aceitei de batom vermelho tirei tantas fotos, recebi tantos elogios, me senti tão bem e segura, como poucas vezes na minha vida. Eu me senti liberta, sexy e mulher.

Quando o batom vermelho se tornou meu melhor amigo eu venci a “a cara de puta” que alguns dizem que ele representa, venci as normas ridículas que algumas pessoas insistem em propagar do que se pode ou não fazer, eu me libertei do estereótipo de mulher pura, inocente e santa que eu nunca tive interesse em ter, mas que mesmo assim alguém julgou que eu precisava. Eu venci o medo de mostrar uma das partes preferidas do meu corpo e hoje a exibo como merece: com destaque!

O batom vermelho não revela só lábios coloridos, ele exaltasse o sorriso e destaca algo muito poderoso: a fala. Mesmo sendo considerada uma falta de educação usar em público, lá no século 19, ele sempre esteve presente nos lábios que grandes revolucionárias, atrizes e divas desta e de muitas outras épocas. Uma mulher de lábios vermelhos é alguém que tem poder, que deseja falar, sorrir e ser bonita do seu jeito.

Descobri muito mais sobre mim quando venci meus próprios preconceitos e limitações em relação a isso. Percebi que o batom vermelho não me deixa com cara de puta, me deixa com a mesma cara e ainda destaca o que eu mais gosto em mim. E como disse Jout Jout ao nosso querido Jô Soares, “o que é uma cara de puta, não é mesmo”.

red-lips3

Aquela pessoa que mal conseguia chegar ao carro com a boca vermelha hoje acredita que qualquer lugar é lugar e às vezes é tudo que preciso quando estou tristinha ou sofrendo com falta de inspiração. Me lembro daquele primeiro batom com muito carinho e ele ainda ganhou mais de 15 amiguinhos dos mais variados tons e marcas que ficam espalhados na penteadeira, bolsa e gaveta do escritório.

A história pode até parecer bem clichê, afinal não foi por mim que o batom vermelho se tornou um símbolo do poder feminino, mas essa é a minha. Nos meus estudos sobre o feminismo descobri Srilatha Batliwala que fala de forma linda e inspiradora sobre o empoderamento feminino. Em uma de suas reflexões ela diz que precisamos descobrir o que é ser mulher sem estar sob olhos masculinos. Descobrir o que é ser sexy e feminina para você e não o que agrada o outro.

Isso acontece naquele momento que ficamos nos admirando no espelho, que nos tocamos, entendemos e aceitamos os desejos que estão adormecidos no fundo da nossa alma. É aquele momento que a gente se observa e permite refletir sobre quem somos e o que queremos.

Em minhas longas reflexões entre eu e minha imagem no espelho percebi que o batom vermelho me ajudou a valorizar o que eu mais amava em mim e entender que isso é tudo que importa. Amor existe para ser irradiado e não guardado em uma caixa, então mostre para o mundo o que você ama. Contagie o mundo com o que te faz feliz!

Hoje “sou mais eu” quando estou de bocão vermelho porque ele representa muito o quero pra mim e a mulher que eu sou. Não há nada que você não possa ser, então descubra a mulher que você é e permita-se!

Continue Reading

Feminismo

Por um mundo com mais princesas malalas!

By on fevereiro 10, 2016

Gostaria de avisar uma coisa! Venho com tanta certeza dizer algo sobre um terreno que para mim ainda é desconhecido. Não tenho filhos, então posso estar palpitando na educação de uma criança de forma bem errônea. Imagino o quanto deve ser difícil a missão de ser pais, por isso, fiquem a vontade para contribuir com suas opiniões e até me dizer se estou certa ou errada. O texto é a minha visão cheia de opinião, mas sonhando com um futuro melhor e um mundo mais cheio de amor.

Malala 01

Quando era criança, eu e minha irmã ganhamos livros de histórias infantis, daqueles grandões e super pesados com muitos contos e ilustrações. Eram dois livros, um com histórias clássicas, como Chapeuzinho Vermelho e João e Maria, e outro com os maiores sucessos da Disney. Por algum motivo que não sei explicar nunca gostei muito do livro da Disney, achava as histórias bobinhas. Na verdade, acho que tinha um problema com a passividade das princesas, sempre as tornando tão desinteressantes.

Não é interessante pensar que se acreditarmos na existência do príncipe encantado nós não precisamos fazer nada? Se alguém te prende em uma torre, jogue suas tranças e espere por um príncipe, ou, se alguém te envenenar, durma tranquilamente e espere o beijo do amor verdadeiro. Eu só tenho a agradecer a educação tendenciosamente feminista dos meus pais, seja proposital ou não, onde a filosofia era: estude, trabalhe, esforce-se e não dependa de ninguém. Apesar de não ser um mundo tão cor de rosa e romântico quanto o conto de fadas, era inspirador e cheio de amor. E posso afirmar que não gostaria de ser criada de outra forma.

Eu não tenho filhos e não sei se um dia terei, mas imagino o quanto deve ser difícil desconstruir o mundo encantado de uma criança lhe apresentando a vida real. Um mundo onde você vive aprisionado em casa, como a princesa na torre, por medo da violência. É escravizada por uma sociedade injusta, assim como a madrasta fez com a Cinderela, mas, infelizmente, nenhuma fada madrinha aparece com um lindo vestido, carruagem e sapatinhos de cristal para te ajudar a conquistar o príncipe e um maravilhoso castelo. Mostrar a realidade suja do mundo a uma criança que vive protegida em sua inocência deve fazer o coração de uma mãe sangrar.

Permitir que nossos filhos estejam protegidos na fantasia de um conto de fadas pode ser o mais cômodo e o menos dolorido, mas não ajuda a mudar a nossa realidade. Nossas crianças serão os maiores agentes de mudança deste mundo e eu acredito nelas! O problema é que elas só poderão fazer algo a respeito quando conhecerem a verdadeira história.

Se hoje eu tivesse uma filha gostaria de contar para ela a história de Malala, poderia até chamar de princesa Malala. Por que não? Gostaria de contar como ela gostava de estudar e lutou pelo seu direito de ir à escola, mesmo com poderosos e violentos homens maus dizendo que não. Contaria que eles tentaram calar a princesa Malala, mas não conseguiram. Malala chorou e sentiu medo, como qualquer pessoa, mas ela era uma princesa muito forte. Ela queria estudar, por isso usou a sua voz e lutou muito para que isso acontecesse. Não ficou esperando pelo príncipe encantado.

Eu acredito que se tivesse uma filha, ela não precisaria de Cinderelas, Belas Adormecidas e Brancas de Neves. Minha filha precisa de Malalas! No conto da princesa Malala também existem pessoas más, como nos contos de fadas, a diferença é que no final quem os enfrenta é a própria princesa.

Malala 02

Por favor, não me entendam mal. Não existe nada de errado com o príncipe encantando. Como 28 anos vividos aprendi que existe uma linha tênue entre ser independente e ser egoísta. Não quero ensinar para minha filha que ela não precisa de ninguém, mas que sim, se pode lutar por tudo que sonha. Eu não quero mostrar para a minha filha a passividade de uma princesa da Disney, eu quero que ela conheça a força da Malala.

Quando eu li a história de Malala pensei “Nossa! Como uma criança tão pequena pode ser tão forte!”. Essa menina tão corajosa é a mais jovem ganhadora de um Prêmio Nobel da Paz e em seu discurso disse: “Eu tinha duas opções, a primeira era permanecer calada e esperar para ser assassinada. A segunda era erguer a voz e, em seguida, ser assassinada. Eu escolhi a segunda. Eu decidi erguer a voz”. Quando li isso quis abraçar Malala. Quis agradecer a aquela criança por me defender e por defender o direito das minhas futuras filhas.

Eu sei que princesas, príncipes e contos de fadas motivaram meninas por muitas gerações e renegar nossas Cinderelas e Belas Adormecidas é quase como trair uma parte da nossa infância. Mas estamos vivendo um importante processo de mudança, principalmente para nós mulheres, e acredito que chegou a hora das nossas princesas transformarem a sua história e inspirar nossas filhas de outra forma.

Continue Reading