Little bottles of joy

Desistir (às vezes) é preciso

julho 25, 2016
desistir às vezes é preciso

Vou te revelar um grande segredo: desistir é permitido. E necessário algumas vezes! Eu demorei a entender isso, principalmente porque sempre gostei de dizer “que a palavra desistir não fazia parte do meu vocabulário”. Isso não é coisa de gente persistente, é coisa de gente teimosa. E vamos combinar que teimosia é burrice, na maioria das vezes.

Quando terminei o livro “Como eu era antes de você” sozinha no meu quarto e aos prantos, não questionei em nenhum momento a decisão do Will (sem spoilers, eu juro!). É triste, mas fazia todo sentido. Tempo depois, quando as luzes do cinema se acenderam e, na pequena sala, estava rolando uma espécie de “pranto coletivo” pelo mesmo motivo, o que mais ouvi foram lamentações por ele não ter mudado de ideia pela Lou e como era triste uma pessoa desistir. Por que?

Se tem uma coisa que o tempo está me ensinando nesta vida é colocar o “ato da desistência” em prática. Desistir, desapegar, deixar pra lá… escolha a palavra ou expressão que mais represente o fato de seguir deixando algo para trás. Se você escolheu deixar algo pelo caminho é porque aquilo não tem mais sentindo ou é algo tão doloroso que mais pesa do que soma em sua vida. Então qual é o problema?

O que vale nesta vida é o caminho e é bem provável que não exista nada especial te esperando no final. A recompensa é você mesmo – em uma versão mais completa – se souber aproveitar todas as pessoas e experiências que cruzam esta trajetória.

É difícil trilhar este caminho de mãos dadas com tantas coisas, pessoas e sentimento. Talvez quem está com você busque uma direção diferente da sua e você vai fazer o que? Arrasta-lo até o final? Não existe nada de triste em desistir. Sofrido mesmo é carregar algo que não precisa e se fechar para novas oportunidades.

A ideia da “vida clean” incomoda. Já percebeu isso? Alguém um dia disse que vazio e solidão representam tristeza e desde então, nos esforçamos diariamente para preencher estas lacunas com coisas e pessoas. Nos apegamos e fazemos um esforço surreal para conseguir manter tudo isso em nossas vidas e não desistir de nenhuma delas. Depois que você entende como é libertador desistir de algumas coisas, são os excessos que incomodam.

Desistir não é sinal de franqueza. É algo nobre! Exige um complexo conhecimento de si mesmo para decidir se aquilo deve continuar na sua vida ou realmente vale a pena tanto esforço. Para seguir, desistir – às vezes – é preciso.

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