Decor | Inspiração

KonMari: O que eu aprendi com o método mágico de arrumação de Marie Kondo

By on fevereiro 22, 2016

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Comprei o livro “A magica da arrumação” de Marie Kondo há algum tempo, mas só coloquei o método em prática no começo do ano. A verdade é que fique assustada com a quantidade de relatos de pessoas que se desfizeram de 10, 20, 30 sacos de coisas da sua casa e eu, apegada demais com as coisas – uma das únicas características as avessas que eu tenho de aquariana – logo achei que não ia dar certo e deixei o livro de lado.

Um tempo depois disso, meu mundo virou do avesso! Decidi sair do meu emprego para começar meu próprio negocio, voltei para a faculdade, adotei duas pestinhas de quatro patas e não tinha mais tempo pra nada, é claro que nesse “nada” já estava reservado o tempinho diário do netflix e o semanal do cinema. Né, necessário!

Eu queria começar diferente, todas essas mudanças aconteceram no fim de 2015 e eu já estava naquele período de começar a rever tudo para começar um ano melhor e mais leve. Estava começando a trabalhando com o que eu sonhava, da forma que sempre quis, então o novo ano merecia esse cuidado extra. Sai de férias, coloquei o livro da mala e me dediquei a entender o método dessa japonesa que ficou conhecida no mundo todo enquanto aproveitava os pezinhos na areia.

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O livro é maravilhoso, o texto é bem leve e terminei rapidinho. Voltei pra casa alguns dias antes do ano novo e mão na massa. E para minha surpresa a ideia de arrumação é muito maior que apenas colocar todas as coisas no lugar, é uma organização da vida!

Divida suas coisas por categorias e jogue tuuuuudo no chão

É assim que começa! Você vai começar com roupas, então precisa pegar todas as suas roupas que estão espalhadas pela casa e reunir em um só lugar. E quando ela fala tudo, é tudo mesmo! As que estão no armário, no cesto do banheiro, no varal, nas caixas, em sacos… O que ficar perdido após a arrumação vai direto para a pilha de descarte.

Isso aqui me faz feliz?

No método de Marie Kondo você não vai descartar só aquele vestidinho de lurex que sou em alguma festa dos anos 80 ou aquela blusa de oncinha difícil de combinar. Esqueça a história de armário cápsula, peças neutras, decoração clean ou organizadores de ambiente. Para tudo o que você tem vai fazer a mesma pergunta: “Isso aqui me faz feliz?”.

Você vai pegar cada coisinha e cada peça de roupa olhar, sentir e fazer uma reflexão se aquilo te faz ou não feliz. Se a resposta for não, vai para a pilha de descarte. Se a reposta for sim, guarde. Se ela estiver bem velhinha e sem condições de uso, mas te faz muito feliz, agradeça por toda a alegria que ela trouxe e descarte.  Sim! Você vai agradecer as suas roupas e todos os objetos que estão em sua casa! O método KonMari trabalha com dois sentimentos genuínos: A felicidade e a gratidão.

Cada coisa no seu lugar

Não existe mudança pela metade, quando você muda, tudo muda! No livro, Marie explica que cada coisa precisa ter o seu lugar e depois que você define isso nada mais fica fora do lugar. Em um só lugar você guarda roupas, em um só lugar você guarda livros, em um só lugar você guarda papelaria, fios ou objetos eletrônicos. Depois que você toma consciência de cada coisa que possui consegue valorizar e ser grata por sua existência.

Você chega em casa e coloca cada coisa no lugar certo. Nada fica jogado ou abandonado e a sua casa e vida ficam organizadas para sempre!

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O que eu aprendi com Marie Kondo

Foram 4 dias intensos dedicados à arrumação e o resultado foram 12 sacos de 50l cheios e 2 duas caixas gigantes de papelão que partiram da minha casa. Hoje eu olho para o meu cantinho e me sinto muito feliz! Estou dormindo melhor, mais concentrada no trabalho e sinto um orgulho que não cabe em mim quando olho para o meu mini closet todo organizadinho, mas não foi fácil!

Quando joguei todas as minhas roupas na cama e comecei a olhar uma por uma fazendo a perguntinha mágica “Isso aqui me faz feliz” percebi a quantidade de coisas que eu não gostava e só ocupavam espaço no meu armário. Tudo que eu gostava muito estavam jogadas na cadeira, no cesto ou pendurada no banheiro, e a maioria das coisas que não me faziam feliz estavam bem lindas penduradinhas no cabide. Acabei refletindo que a gente faz isso com muitas coisas em nossa vida, não valorizamos muito o que amamos enquanto cultuamos muito do que não faz bem.

Lidar com toda aquela pilha que estavam na minha cama não foi fácil. Ver tudo que eu tenho ali me deixou exposta. Me senti aquelas pessoas que passam no H&H e são chamadas de acumuladores. A lógica é a mesma para suas roupas, emoções, sentimentos e lembranças que estão reunidas em um mesmo lugar e você é obrigada a lidar com elas, até com aquelas que inconscientemente você guardou no fundinho do coração.

Não é fácil agradecer! Lá pelo terceiro dia de arrumação eu estava cansada e já não conseguia mais seguir o método como ela ensina. Só guardava ou jogava fora, não fazia mais todo o processo de olhar e agradecer, então resolvi fazer uma pausa A gente faz muito isso no dia a dia, quando estamos tristes, cansados ou decepcionados acabamos esquecendo de agradecer todas as coisas que acontecem em nossas vidas e nos limitamos a “guardar” ou “jogar fora”.

É preciso ter disciplina! Guardar tudo que usou no lugar certo não vai demorar mais que 5 minutos depois que sua casa estiver toda organizada. A gente tem o triste hábito de priorizar todas as outras coisas e deixar a nossa vida de lado. Tenha em mente que sua casa e sua vida estão no topo das suas prioridades e você precisa cuidar delas com muito carinho sempre!

Praticar o desapego dá trabalho, mas não dói! Como eu já disse lá no começo, a mudança de vida após o método de Marie Kondo é radical. Aos poucos ela vai te ensinado a desapegar de coisas que você jamais imaginou que um dia conseguiria. Eu acredito que o universo conspira a favor quando o sentimento é sincero e tive a prova durante o processo de mudança.

Meu HD queimou logo nos primeiros dias do ano e eu perdi tudo que ainda não tinha conseguido fazer backup. Eu quase dei meu último suspiro de vida quando recebi a notícia, mas logo depois me acalmei. O método KonMari afetou até meus arquivos do notebook!

Já faz quase 3 meses que isso aconteceu e ainda não senti falta de nenhum arquivo – provavelmente eram coisas inúteis que não conseguia me desapegar – mas se não tivesse aprendido muito com o método dela, até hoje estaria batendo com a cabeça na parede.

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Sua casa muda e sua vida muda

No livro, Marie retrata que com a aplicação do método alguns de seus clientes emagreceram, outros trocaram de emprego ou até transformaram seus relacionamentos amorosos. Como eu falei lá no começo do post, a filosofia que ela usa vai muito além da arrumação, ela muda a forma como você lida com suas coisas, seus sentimentos e sua vida. Mudou a minha 🙂

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Cinema

Filmes inspirados nos clássicos de Jane Austen

By on fevereiro 18, 2016

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Você pode me perguntar quem é minha escritora favorita hoje, amanhã ou em qualquer momento da vida que a resposta será sempre a mesma: Jane Austen!

Desde a minha adolescência ela ganhou meu coração de uma forma tão sincera que qualquer tipo de amor literário que venha em sequência será secundário. Fica aí a dica presentes para qualquer ocasião! hahahaha Austen é uma das maiores escritoras inglesas que já existiu, soube como poucos usar a ironia de uma forma muito inteligente e, mesmo com muita discussão a respeito, acredito também que ela contribuiu muito para o movimento feminista.

Além dos conhecidos Sense and Sensibility, Pride and Prejudice, Mansfield Park, Emma, Northanger Abbey e Persuasion, ela ainda deixou algumas obras inacabadas e vários textos soltos. Ainda não consegui ler todas as obras e assistir todos os filmes inspirados em suas criações, mas se você quer mergulhar no universo de Austen e conhecer um pouco mais sobre as obras desta escritora maravilhosa deixo a dica de alguns filmes e séries que já assisti!

Prepara o Netflix, a pipoca e o refri. É bem provável que precise de alguns lencinhos também!

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Amor e Inocência

Vi essa semana! O filme não é muito novo e conta a história da Austen, mas mesmo amando Anna Hathaway e James McAvoy estava morrendo de medo de ser ruim ou ficar com cara de romancinho água com açúcar, aí fiquei enrolando para assistir. Que bom que eu estava errada!

O filme é delicioso, com aquelas maravilhosas paisagens inglesas e um retrato bem fiel sobre o que se conhece dela. Não se sabe muito sobre a vida amorosa de Jane Austen, além de Thomas Lefroy, e o roteiro respeita bastante isso sem ficar fantasiando demais.

Se você já conhece Pride and Prejudice vai ficar encantado com as características da família de Jane que inspiraram os personagens da obra. Ela começa escrever a história durante o filme então o coração pula quando ela aparece escrevendo alguns trechos do livro e, pela primeira vez, surge o nome Mr. Darcy. É lindo <3  Trailer aqui!

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Clube de leitura de Jane Austen

Com roteiro e direção de Robin Swicord, diretora maravilhosa de O curioso caso de Benjamin Buttom, Memórias de uma gueixa e Adoráveis Mulheres, o filme  é uma adaptação do livro de Karen Joy Fowler. Na história, cinco amigas criam um clube de leitura para discutir os principais romances de Jane Austen e ajudar uma delas que está sofrendo com um divórcio doloroso.

O filme é sensível e super comovente. É lindo ver como a vida de cada membro do clube se mistura com o romance de Austen que escolheram para ler. Ainda conta com a simpatia de Emily Blunt (ainda vou escrever algo só sobre filmes delas), Hugh Dancy e Marc Blucas. Uma delícia de assistir! Trailer aqui!

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Emma

Para mim, Emma é a obra mais leve de Jane Austen. Toda a história tem um tom mais divertido, com uma heroína – bonita, rica e mimada – que se declara imune à atração romântica e sem interesse nenhum por todos os homens que conhece. O mesmo estilo continua no filme que é estrelado por Gwyneth Paltrow.

É muito engraçado ver Emma assumindo a função de casamenteira e mestre em conselhos sentimentais das amigas sem nunca ter se quer gostado de alguém. É um filme gostoso de ver e com um figurino dos sonhos. Outra delícia de assistir! Trailer aqui!

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Razão e Sensibilidade

Uma das obras que mais gosto, deixei a minha preferida por último, mas preciso dar um aviso aos navegantes: É só tragédia!

A sensação que eu tenho ao ver o filme ou ler o livro – estou lendo pela segunda vez – é a mesma que os filmes do Nicholas Sparks causam. Quando tudo começa a melhorar algo acontece. O filme inteiro você quer abraçar as irmãs Elinor e Marianne porque como elas sofrem! Lembra dos lencinhos? Provavelmente você vai usar bastante aqui.

Mostrando um lado menos romântico da realidade da mulher do século XIX, as duas irmãs sofrem com dificuldades financeiras e a falta de expectativas de encontrar o amor. Emma Thompson dá vida a Elinor e Kate Winslet interpreta lindamente Marianne. A história tem muita sofrência, mas é linda e vale muito a pena assistir!

O fime levou o Oscar de melhor roteiro adaptado, o BAFTA e o Golden Globe de melhor filme! Trailer aqui!

 

Agora vamos falar de coisa boa. Vamos falar de Orgulho e Preconceito <3

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Quando eu li Orgulho e Preconceito pela primeira vez não conhecia muito Jane Austen, minha paixão foi pelo romance cheio de erros e acertos, uma protagonista que foge a todos os estereótipos da época e um cavaleiro que é lindo, mas nem um pouco perfeito. Muito mais próximo da vida real do que a maioria dos romances! Como ainda quero fazer um post só falando sobre ele, vamos direto para as dicas!

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Orgulho e Preconceito – Filme

Com Keira Knghtley como Elizabeth Bennet, Matthew Macfayen de Mr. Darcy e direção de Joe Wright (Peter Pan e Anna Karenina) o filme é uma adaptação muito linda do livro. A maioria os diálogos importantes foram preservados e algumas cenas diferentes foram criadas que ficaram tão lindas quanto o livro. Se você conseguir assistir o DVD ainda tem uma surpresinha: Um final alternativo que rodou só nos EUA. Uma cena de pouco mais de 3 minutos tão cheia de amor que faz derreter qualquer coração!

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Orgulho e Preconceito – Série

A maravilhosa obra de Jane Austen contata em 6 episódios com a presença mais que perfeita de Colin Firth, como Mr. Darcy <3 Pronto, não preciso falar mais nada!

Brincadeira! A série foi produzida em 1995 e lançada pela BBC. Com muito mais tempo que o filme, os personagens aparecem mais e alguns diálogos lindos do livro também, com mais destaque. A produção foi homenageada em várias premiações e a cena de Colin Firth, como Mr. Darcy, saindo do lago com a camisa branca molhada foi considerada “um dos mais inesquecíveis momentos da história da TV Britânica.” Agora sim você tem todos os motivos do mundo para assistir! Um trechinho aqui!

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Orgulho e Preconceito e Zombies

O livro inspirado no romance de Austen foi adaptado e chega aos cinemas este mês. Depois da Inglaterra ser devastada por uma praga, no século XIX, começam aparecer zumbis. Sim, zumbis. Então a maravilhosa heroína Elizabeth Bennet, mestra em artes marciais e no uso das mais diferentes armas se junta as suas irmãs e Mr. Darcy para combater a invasão de mortos-vivos. Lili James (#sualinda) interpreta Liz e Sam Riley dá vida ao Mr. Darcy.

Eu não li o livro ainda, mas já estou acompanhando pra ver quando o filme chega aqui! Não sei o que esperar, mas parece interessante.  Dá uma espiadinha no trailer!

Acabei postando só os filmes que já assisti, mas existem outras milhares de adaptações que vou indicando com o tempo! Acho que vou criar uma sessão aqui no blog só sobre Jane Austen, o que acham? Legal ou coisa de #migasualoka?

Para mostrar que meu amor é declaro e sincero, olha que lindo o presentinho que ganhei da miga (beijos Thali!) de aniversário <3

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Vida home office

O novo ritmo da moda

By on fevereiro 15, 2016
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Burberry verão 2016 – London Fashion Week

As mudanças no comportamento do consumidor em relação ao consumo de moda e informação estão chegando a um ponto onde as marcas não poderão mais fechar seus olhos. A justificativa do “sempre foi feito assim” não agrada mais um público que busca a todo o momento coisas novas e experiências positivas para a sua vida. Quando a marca não o satisfaz neste sentido o efeito é simples: abandono e esquecimento.

Não podemos mais negar que o atual formato de apresentação de novas coleções está desatualizado. Profissionais que estudam o comportamento do consumidor e buscam novas formas de aprimorar o processo criativo bateram repetidas vezes na tecla que tendência é comportamento e não estação, então esqueça o inverno do Dolce & Gabanna para pensar em seu inverno aqui no Brasil. Pense em o que esta acontecendo agora!

Houve resistência, mas hoje é possível ver marcas pensando de forma mais atual e buscando entender o que acontece no mundo de quem consome suas peças. Agora chegou a vez de repensar como se apresenta estas criações para o público. Em entrevista ao Business of Fashion, Christopher Bailey, CEO e diretor criativo Burberry declarou:

“Você cria toda essa energia em torno do desfile, daí ele acaba e você diz: agora esqueça porque ele não estará nas lojas nos próximos seis meses”.

O despertar do desejo, a ansiedade da espera e a exclusiva lista de espera para adquirir um produto que você se apaixonou durante um desfile funcionou durante anos, mas não é mais eficaz. A velocidade em que as marcas de moda lançam suas coleções e o hiato de tempo que existe entre o que é apresentado nas passarelas e o que chega à loja não agrada mais este consumidor que não sabe esperar.

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Burberry verão 2016 – London Fashion Week

E foi justamente a Burberry quem puxou a fila da mudança anunciando o fim das linhas Burberry London e Burberry Brit, em novembro, e incorporando todas as suas linhas em apenas uma. Nesta reestruturação, a divisão acontece apenas entre masculino e feminino, os desfiles deixarão de ser apresentados no formato tradicional – onde as peças demoram até seis meses para chegar às lojas – e passaram a acontecer duas vezes ao ano, fevereiro e setembro, e as peças já estão disponíveis para compra nos dias seguinte a apresentação. A Burberry aposta em um formato instantâneo e que nunca aconteceu em toda a história da marca.

Seguindo o mesmo caminho, a Tom Ford apostou em um formato de vídeo para apresentar o seu verão 2016 e anunciou que o seu inverno também será apresentado em setembro.  O boicote destas marcas ao calendário oficial de apresentações é um sinal que a indústria da moda está mudando drasticamente seus conceitos pensando no consumidor e na relação criativo x comercial que sempre esteve abalada com a sobrecarga de profissionais criativos criando grandes coleções em um curto espaço de tempo e uma equipe de vendas que contava apenas com o “desejo” e o “lúdico” para vender peças que demoravam quase meio ano para chegar às lojas.

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Ao mesmo tempo em que acredito neste novo posicionamento com foco no consumidor e na melhor relação entre criativos x comercial, não consigo me libertar do sentimento que toda essa pressa para que os produtos cheguem logo até as lojas seja uma tentativa desesperada de estimular novamente o consumismo desenfreado e a compra por impulso que tanto já foram explorados na indústria da moda e com a mudança no cenário atual fizeram muitas marcas fecharem suas portas.

Com um consumidor cada vez mais consciente e caminhando para uma vida mais simples, principalmente quando se trata de consumo, se esta é a estratégia oculta do segmento já posso prever mais uma crise chegando por aí!

Vamos acompanhar as próximas paginas desta história e quem sabe não resgato esse texto daqui um tempo 🙂

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Feminismo

Eu, o batom vermelho e o feminismo

By on fevereiro 12, 2016

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O batom vermelho aparece cada vez mais como um símbolo de mulheres empoderadas que lutam pela igualdade e eu, apaixonada por tudo isso, comecei a pensar na minha relação com ambos. Afinal, sou sim do tipo que usa batom vermelho até na padaria e bom, acho que não preciso falar muito sobre minha relação com o feminismo. Se ainda não fomos apresentados, tudo bem! Continue por aqui que logo tudo fará sentido.

Herdei duas coisas da minha avó índia: Os lábios carnudos e uma sorte danada com a pele. Quando eu digo sorte, é sorte mesmo, do tipo que passa pela adolescência sem nem saber o que é espinha! Estas duas características sempre foram motivos de muitos elogios e constrangimentos para mim. Probleminhas em relação à receptividade de elogios, principalmente deste tipo que você nunca sabe dizer nada além de obrigada! Explico: Quando alguém elogia minha aula ou um texto que escrevi, agradeço pelo reconhecimento a dedicação e esforço, mas quando alguém elogia seus olhos, seu cabelo ou sua boca, você não vai responder obrigada, eu nasci assim, hahahaha! Enfim, coisas da vida que discutimos no sofá da terapia.

A verdade é que ter a pele boa me livrou de muitas preocupações com oleosidade, espinhas, ressecamentos, rugas e isso nunca me causou grandes problemas, mas já os lábios não. Eu sentia uma necessidade fora do comum de escondê-los, batom clarinho, gloss transparente ou só um hidratante labial para dar um brilhinho. Era o que a maioria das revistas e experts falavam sobre maquiagem para lábios carnudos e tudo que eu poderia fazer para não chamar muito a atenção.

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E foi com essa lógica que eu vi até os 20 e poucos anos quando o batom vermelho começou a voltar com força quebrando aquela associação ridícula com o vulgar e caindo no gosto de mulheres poderosas e moderninhas. Eu que já nem lembro quando comecei acompanhar blogs femininos e de moda, via tudo isso acontecendo e achava lindo, vermelho é realmente uma cor apaixonante, mas não era pra mim – não era para os meus lábios grandes demais. Foi a influência – e grande insistência – das minhas amigas que um dia resolvi comprar um: O Boticário, linha Intense, cor 330, efeito mate. Se tornou o tipo de coisa que a gente não esquece!

“Se eu tivesse seu bocão, ia viver de batom vermelho”, “Meus lábios são finos e iam ficar parecendo dois riscos na cara, mas em você ia ficar lindo”, “Combina com você que é toda moderninha”. Foram estas frases que começaram a me fizeram mudar de ideia e tentar. Lembro que a primeira vez que passei, logo tirei. Passava, ficava olhando no espelho, tentando combinar com a sombra, com o cabelo, com a roupa e logo tirava. Uma vez, venci o espelho e consegui sair de casa, mas tirei no carro antes de chegar ao bar. Não lembro quanto tempo exatamente durou essa “batalha”, mas sei que ela não foi curta. Quando me aceitei de batom vermelho tirei tantas fotos, recebi tantos elogios, me senti tão bem e segura, como poucas vezes na minha vida. Eu me senti liberta, sexy e mulher.

Quando o batom vermelho se tornou meu melhor amigo eu venci a “a cara de puta” que alguns dizem que ele representa, venci as normas ridículas que algumas pessoas insistem em propagar do que se pode ou não fazer, eu me libertei do estereótipo de mulher pura, inocente e santa que eu nunca tive interesse em ter, mas que mesmo assim alguém julgou que eu precisava. Eu venci o medo de mostrar uma das partes preferidas do meu corpo e hoje a exibo como merece: com destaque!

O batom vermelho não revela só lábios coloridos, ele exaltasse o sorriso e destaca algo muito poderoso: a fala. Mesmo sendo considerada uma falta de educação usar em público, lá no século 19, ele sempre esteve presente nos lábios que grandes revolucionárias, atrizes e divas desta e de muitas outras épocas. Uma mulher de lábios vermelhos é alguém que tem poder, que deseja falar, sorrir e ser bonita do seu jeito.

Descobri muito mais sobre mim quando venci meus próprios preconceitos e limitações em relação a isso. Percebi que o batom vermelho não me deixa com cara de puta, me deixa com a mesma cara e ainda destaca o que eu mais gosto em mim. E como disse Jout Jout ao nosso querido Jô Soares, “o que é uma cara de puta, não é mesmo”.

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Aquela pessoa que mal conseguia chegar ao carro com a boca vermelha hoje acredita que qualquer lugar é lugar e às vezes é tudo que preciso quando estou tristinha ou sofrendo com falta de inspiração. Me lembro daquele primeiro batom com muito carinho e ele ainda ganhou mais de 15 amiguinhos dos mais variados tons e marcas que ficam espalhados na penteadeira, bolsa e gaveta do escritório.

A história pode até parecer bem clichê, afinal não foi por mim que o batom vermelho se tornou um símbolo do poder feminino, mas essa é a minha. Nos meus estudos sobre o feminismo descobri Srilatha Batliwala que fala de forma linda e inspiradora sobre o empoderamento feminino. Em uma de suas reflexões ela diz que precisamos descobrir o que é ser mulher sem estar sob olhos masculinos. Descobrir o que é ser sexy e feminina para você e não o que agrada o outro.

Isso acontece naquele momento que ficamos nos admirando no espelho, que nos tocamos, entendemos e aceitamos os desejos que estão adormecidos no fundo da nossa alma. É aquele momento que a gente se observa e permite refletir sobre quem somos e o que queremos.

Em minhas longas reflexões entre eu e minha imagem no espelho percebi que o batom vermelho me ajudou a valorizar o que eu mais amava em mim e entender que isso é tudo que importa. Amor existe para ser irradiado e não guardado em uma caixa, então mostre para o mundo o que você ama. Contagie o mundo com o que te faz feliz!

Hoje “sou mais eu” quando estou de bocão vermelho porque ele representa muito o quero pra mim e a mulher que eu sou. Não há nada que você não possa ser, então descubra a mulher que você é e permita-se!

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Gastronomia

Receitinha: Biscoitinhos amanteigados

By on fevereiro 10, 2016

biscoitinhos-amanteigados-01Esta receita tem gostinho de casa de vó, é fácil de fazer e perfeita para o café da manhã. Você pode dividir em saquinhos e levar na bolsa para um lanchinho. Conserve em um pote com tampa para manter sempre crocante.

Ingredientes:

1 lata de leite condensado

500g de polvilho doce

150g de manteiga

50g de coco ralado

Como fazer:

Pré-aqueça o forno. Misture o polvilho e coco em uma tigela grande, depois acrescente a manteiga e o leite condensado. Vá amassando todos os ingredientes com as mãos até formar uma massa homogênea.

Faça bolinhas e distribua em uma assadeira untada. Pressione levemente cada bolinha com o garfo e leve ao forno (180°) por 10 minutos. A temperatura e o tempo podem variar de acordo com o forno, por isso observe a base para fique levemente dourada. Saboreie com um cafezinho!

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Dica: Você pode acrescentar na massa granulado, castanhas ou frutas secas para criar novos sabores.

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Cinema

Três filmes para viajar o mundo sem sair do sofá

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Sou daquela que perde a noção no tempo quando está navegando no Netflix ou na programação da TV a cabo. Para mim, filme é um tipo de coisa irresistível que melhora o humor e nos leva para uma realidade diferente, pelo menos por algumas horas. Revigora!

Como estou contando os dias para ganhar mais um carimbo no passaporte, resolvi começar minha colaboração aqui com três sugestões de filmes que vão fazer você correr para preparar a mala. Prepare-se para viajar o mundo sem sair do sofá.

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Vicky Cristina Barcelona

Você é uma pessoa que gosta de viver intensamente a paixão? Seu roteiro de viagem perfeito está na Espanha, com esse sucesso apaixonante de Wood Allen. Este é aquele tipo de filme que vai fazer você suspira e não é só pela presença de Javier Bardem.

As amigas, Vicky (Rebecca Hall) e Cristina (Scarlett Johansson), partem em uma viagem de férias para Barcelona e conhecem o sedutor pintor Juan Antonio em uma exposição de arte. As duas aceitam o convite dele para passar o fim de semana em sua casa, na charmosa cidade de Oviedo, e lá acabam conhecendo a temperamental ex-mulher de Juan, Maria Elena (Penépole Cruz). A história se complica quando as três mulheres se apaixonam por Juan, formando um divertido “quadrado amoroso”.

Sexy, atraente e cheio de paixão. O filme mostra as paisagens mais incríveis de Barcelona e ainda consegue transmitir aquele “clima caliente” espanhol, principalmente pela atuação de Javier Bardem e Penélope Cruz. Fica um aviso: O lugar é irresistível! Então se prepare para ser seduzido pela histórica arquitetura catalã da cidade ou por um caliente amor espanhol.

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Cartas Para Julieta

Este é aquele tipo de romance fofo que eu já perdi as contas de quantas vezes assisti. A história é linda e o lugar não podia ser melhor, a Itália. Foi este filme que me fez sonhar em incluir Verona em minha próxima viagem a Europa.

A aspirante a escritora, Sophie (Amanda Seyfried) viaja para Verona com o noivo Victor, interpretado por Gael Garcia para uma lua de mel antecipada. Na cidade onde se passou a história de Romeu e Julieta, Sophie descobre uma antiga carta de amor enviada por Claire Smith (Vanessa Redgrave) contando sua história com Lorenzo, um amor da juventude que acabou deixando para trás.

Com a ajuda das secretarias de Julieta, Sophie responde a carta de Claire que se inspira para reencontrar seu amor. As duas partem em uma aventura em busca do Lorenzo de Clarie em meio a tantos italianos com o mesmo nome.

Verona merece ser o cenário deste romance, assim como foi da história de Romeu e Julieta. A cidade foi declarada patrimônio da humanidade pela UNESCO por sua estrutura urbana e arquitetura com mais de dois mil anos. É impossível não se apaixonar pelo clima romântico e acolhedor retratado no filme e eu espero poder confirmar tudo isso em breve!

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Comer Rezar Amar

Para quem gosta de viajar sozinho e viver experiências mais intimistas, comece a traçar a rota: Itália, Índia e Bali. Com estes três cenários incríveis é quase impossível tirar os olhos da TV. Depois de várias desilusões em seus relacionamentos amorosos, Liz decide viver novas experiências viajando pelo mundo por um ano. A cada lugar que ela conhece faz novas amizades e descobre um pouco mais sobre si.

O filme mostra uma personagem que está longe de ser apenas uma turista, ela realmente vive a cultura local, procura entender as pessoas e desfruta todo o conhecimento que aquele local pode contribuir para a sua vida, seja se deliciando – sem culpa – com os sabores italianos, se aproveitando do silêncio e filosofia indiana ou do clima romântico e afrodisíaco de Bali.

A doçura e sensibilidade que Elizabeth Gilbert passou quando contou suas aventuras nesta viagem incrível em seu livro continuam presentes neste roteiro, mas com um plano de fundo muito mais encantador. As reflexões do filme poderão sensibilizar você de uma forma que jamais imaginou.

Viajar é aquele tipo de experiência que muda a nossa vida para sempre, como dizia Albert Einstein: “A mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original.” Seja para atravessar o continente ou 50 km de onde você mora, novas experiências trazem novas perspectivas. Quem sabe este post não te inspire a fazer as malas de verdade?

E você, tem algum filme com um roteiro de viagem inspirador? Conta aí! 🙂

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Little bottles of joy

Ser simples

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be-simpleCada dia que passa tenho mais certeza que nossa vida é feita de ciclos. Vivemos, crescemos, evoluímos e amadurecemos. Temos opinião e mudamos de opinião. Um ciclo que se fecha não significa que chegamos ao fim, na verdade, é um novo início e para começar de novo precisamos avaliar tudo que passou, aprender com as coisas ruins, guardar as coisas boas no coração e seguir.

Tenho vivido esse momento de iniciar um novo ciclo e posso dizer com sinceridade que é caótico. A gente questiona tudo e, muitas vezes, tudo que se acreditou uma vida inteira se desfaz como areia que escorre pelos dedos da mão.

Fomos criados em uma sociedade guiada pelo tempo onde temos a sensação de estar sempre atrasados. Uma cobrança que chega veloz por todos os lados exigindo que você seja coisas que nem tem certeza que quer ser ou que consegue ser. Não existe problema nenhum em não conseguir. Quando você consegue entender isso, você muda a sua vida!

Estude, faça uma faculdade, trabalhe, seja chefe, ganhe dinheiro, compre um apartamento, emagreça, seja saudável. Até coisas legais como a nova onda de ser empreendedor perde seu significado quando alguém olha para você e fala que hoje o mercado exige profissionais empreendedores. Não faz sentido!

Estamos tão preocupados em ter que deixamos de lado a essência de ser. Cada dia em que se aumenta essa velocidade do mundo esquecemos que vivemos com pessoas diferentes, com necessidades diferentes e sonhos completamente diferentes. “Emagreça 15 kg em 1 mês”, “deixe os homens aos seus pés”, “15 passos para alcançar o sucesso”, estas são algumas chamadas que encantam nossos olhos todos os dias em revistas e sites. Minimizamos nossos desejos em coisas tão genéricas e formas padrões para serem consumidas por todos, independente de quem sejam. Isso não é ser simples, é ser insano!

Neste meu novo ciclo comecei a questionar tudo isso e mesmo com todas as incertezas que surgem neste caminho ainda turvo a única certeza que tenho é que não quero guiar meus desejos pela cobrança, pela necessidade de ter. Eu escolhi sentir, ser guiada pelo caminho do amor e pela troca de experiência que só é permitida quando se está com pessoas. Quando se está conectada a pessoas. Quando se sabe ouvir as pessoas.

Desde quando comecei a trilhar esse novo caminho, meu maior desejo é conseguir ser mais simples. Descomplicar e tirar dos ombros todas as cobranças que mais pesam do que facilitam a caminhada. E então – por acaso – enquanto ouvia o rádio a caminho do trabalho me deparo com esse texto:

“Simplicidade não é pobreza, falta ou escassez. É equilíbrio. E ninguém é mais rico do que aquele que aprendeu a viver com equilíbrio. Às vezes a gente ouve alguém dizer que certa pessoa é muito simples. E com isso ela quer dizer que esta pessoa é pobre, ou que não tem tudo que alguém deveria ter. A gente até entende, mas fica com a sensação de que há algo errado neste modo de falar. Simplicidade não é problema, é coisa boa. O simples não é um coitado, é um bem-aventurado. O simples não vive abaixo da linha. Nem acima, o que às vezes é tão ruim quanto. Simplicidade é a capacidade de escolher equilibrar-se na linha, com sabedoria e contentamento. Por isso, o simples não deseja ser grande; esse é o soberbo. Mas também não deseja ser pequeno; esse é o complexado. O simples deseja apenas ser útil a todos e colher os frutos das sementes que lançar. Outra coisa: o simples não deseja o máximo; esse é o ganancioso. Também não deseja o mínimo; esse é o resignado. O simples deseja o necessário, pois quer apenas uma vida regalada, e não ser escravo de seus bens. Enfim, o simples não deseja saber tudo; esse é o pretensioso. Também não deseja saber nada; esse é o preguiçoso. O simples deseja saber viver, com fé, alegria e relacionamentos felizes.”

Parece tão simples, mas você já consegue viver assim? Eu ainda não, mas estou tentando dia após dia 🙂

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Feminismo

Por um mundo com mais princesas malalas!

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Gostaria de avisar uma coisa! Venho com tanta certeza dizer algo sobre um terreno que para mim ainda é desconhecido. Não tenho filhos, então posso estar palpitando na educação de uma criança de forma bem errônea. Imagino o quanto deve ser difícil a missão de ser pais, por isso, fiquem a vontade para contribuir com suas opiniões e até me dizer se estou certa ou errada. O texto é a minha visão cheia de opinião, mas sonhando com um futuro melhor e um mundo mais cheio de amor.

Malala 01

Quando era criança, eu e minha irmã ganhamos livros de histórias infantis, daqueles grandões e super pesados com muitos contos e ilustrações. Eram dois livros, um com histórias clássicas, como Chapeuzinho Vermelho e João e Maria, e outro com os maiores sucessos da Disney. Por algum motivo que não sei explicar nunca gostei muito do livro da Disney, achava as histórias bobinhas. Na verdade, acho que tinha um problema com a passividade das princesas, sempre as tornando tão desinteressantes.

Não é interessante pensar que se acreditarmos na existência do príncipe encantado nós não precisamos fazer nada? Se alguém te prende em uma torre, jogue suas tranças e espere por um príncipe, ou, se alguém te envenenar, durma tranquilamente e espere o beijo do amor verdadeiro. Eu só tenho a agradecer a educação tendenciosamente feminista dos meus pais, seja proposital ou não, onde a filosofia era: estude, trabalhe, esforce-se e não dependa de ninguém. Apesar de não ser um mundo tão cor de rosa e romântico quanto o conto de fadas, era inspirador e cheio de amor. E posso afirmar que não gostaria de ser criada de outra forma.

Eu não tenho filhos e não sei se um dia terei, mas imagino o quanto deve ser difícil desconstruir o mundo encantado de uma criança lhe apresentando a vida real. Um mundo onde você vive aprisionado em casa, como a princesa na torre, por medo da violência. É escravizada por uma sociedade injusta, assim como a madrasta fez com a Cinderela, mas, infelizmente, nenhuma fada madrinha aparece com um lindo vestido, carruagem e sapatinhos de cristal para te ajudar a conquistar o príncipe e um maravilhoso castelo. Mostrar a realidade suja do mundo a uma criança que vive protegida em sua inocência deve fazer o coração de uma mãe sangrar.

Permitir que nossos filhos estejam protegidos na fantasia de um conto de fadas pode ser o mais cômodo e o menos dolorido, mas não ajuda a mudar a nossa realidade. Nossas crianças serão os maiores agentes de mudança deste mundo e eu acredito nelas! O problema é que elas só poderão fazer algo a respeito quando conhecerem a verdadeira história.

Se hoje eu tivesse uma filha gostaria de contar para ela a história de Malala, poderia até chamar de princesa Malala. Por que não? Gostaria de contar como ela gostava de estudar e lutou pelo seu direito de ir à escola, mesmo com poderosos e violentos homens maus dizendo que não. Contaria que eles tentaram calar a princesa Malala, mas não conseguiram. Malala chorou e sentiu medo, como qualquer pessoa, mas ela era uma princesa muito forte. Ela queria estudar, por isso usou a sua voz e lutou muito para que isso acontecesse. Não ficou esperando pelo príncipe encantado.

Eu acredito que se tivesse uma filha, ela não precisaria de Cinderelas, Belas Adormecidas e Brancas de Neves. Minha filha precisa de Malalas! No conto da princesa Malala também existem pessoas más, como nos contos de fadas, a diferença é que no final quem os enfrenta é a própria princesa.

Malala 02

Por favor, não me entendam mal. Não existe nada de errado com o príncipe encantando. Como 28 anos vividos aprendi que existe uma linha tênue entre ser independente e ser egoísta. Não quero ensinar para minha filha que ela não precisa de ninguém, mas que sim, se pode lutar por tudo que sonha. Eu não quero mostrar para a minha filha a passividade de uma princesa da Disney, eu quero que ela conheça a força da Malala.

Quando eu li a história de Malala pensei “Nossa! Como uma criança tão pequena pode ser tão forte!”. Essa menina tão corajosa é a mais jovem ganhadora de um Prêmio Nobel da Paz e em seu discurso disse: “Eu tinha duas opções, a primeira era permanecer calada e esperar para ser assassinada. A segunda era erguer a voz e, em seguida, ser assassinada. Eu escolhi a segunda. Eu decidi erguer a voz”. Quando li isso quis abraçar Malala. Quis agradecer a aquela criança por me defender e por defender o direito das minhas futuras filhas.

Eu sei que princesas, príncipes e contos de fadas motivaram meninas por muitas gerações e renegar nossas Cinderelas e Belas Adormecidas é quase como trair uma parte da nossa infância. Mas estamos vivendo um importante processo de mudança, principalmente para nós mulheres, e acredito que chegou a hora das nossas princesas transformarem a sua história e inspirar nossas filhas de outra forma.

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